Treinamento de Alta Intensidade no DPOC

Por Wenna Bernardo
Especialização em Fisioterapia Cardiopulmonar 
Título de especialista em UTI adulto.

O treinamento intervalado de alta intensidade (TIAI) tem como base períodos aeróbios realizados em alta intensidade intercalados com períodos de recuperação em repouso ou com baixa intensidade. Popularmente conhecido como HIIT, o objetivo geral desse treinamento é gerar um volume maior de exercício em alta intensidade e consequentemente aumentar a proporção de estresse fisiológico promovendo adaptações periféricas e centrais que geram impactos na melhoria da tolerância ao exercício. As adaptações periféricas do HIIT são o aumento da atividade mitocondrial ou seja, mais energia para o músculo sustentar o trabalho por tempo prolongado, ganho da capacidade oxidativa relacionado a melhora da endurance, maior capacidade de oxidação de carboidratos e ácidos graxos para gerar ENERGIA.
Já nas adaptações centrais, destacamos alterações cardíacas, como na hipertrofia do ventrículo esquerdo, melhora da função sistólica e diastólica, no aumento na fração de ejeção e na redução da frequência cardíaca de repouso.
É exatamente nesse ponto que enfatizamos o paciente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), já que estes apresentam redução no desempenho ao exercício e tem como principal causa a hiperinsuflação dinâmica que durante a atividade física eleva o volume pulmonar expiratório final, diminui a capacidade inspiratória, aumenta o trabalho ventilatório reduzindo a habilidade diafragmática em gerar pressões efetivas. Além disso, podem apresentar hipoxemia que resulta no aumento ao estímulo de quimiorreceptores periféricos elevando a produção de ácido lático, contribuindo ainda mais para fadiga muscular.
Outro impacto importante reside sobre a saúde mental desses pacientes uma vez que a ansiedade e a depressão são frequentemente observadas nesses indivíduos, impactando ainda mais na qualidade de vida. A progressiva intensificação da dispneia leva o indivíduo a modificar sua rotina, com limitações frequentes nas relações afetivas, sociais e ocupacionais.
Na revisão sistemática e meta-análise realizada por Adolfo et al. (2019), observou-se os efeitos de dois programas de treinamento em pacientes com DPOC, apontando uma melhora na capacidade funcional após o período de 12 semanas de treinamento de alta intensidade. Analisaram também, a variabilidade da frequência cardíaca após o HIIT em pacientes com DPOC, referindo melhora na função autonômica cardíaca após o treinamento de três meses. Quando comparado, os exercícios intervalados de alta intensidade a exercícios contínuos sobre a capacidade funcional desses indivíduos, foi encontrado um aumento significativo na capacidade máxima de exercício na distância do teste de caminhada de 6 minutos e diminuição de dor nos membros inferiores apenas durante exercícios intervalados. Conclui-se assim que o HIIT no DPOC tem desfecho favorável apesar de haver escassez de estudos sobre o assunto. A observância clínica quanto a sensação referida dos pacientes, bem como a melhora e a atenuação da sintomatologia é indubitável e nos abrem portas para a pesquisa dessa importante temática.



Para aprofundar mais sobre o assunto, seguem as sugestões de leitura abaixo.
Até breve!!!

Adolfo JR., Dhein W., Sbruzzi G. Diferentes intensidades de exercício físico e capacidade funcional na DPOC: revisão sistemática e meta-análise. J Bras Pneumol. 2019; 45(6)

Lottermann PC, de Sousa CA, de Liz CM. Programas de exercício físico para pessoas com DPOC: Uma revisão sistemática. Arq. Ciênc. Saúde UNIPAR, Umuarama. 2017; 21(1): 65-75.

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