High Prevalence of Respiratory Muscle Weakness in Hospitalized Acute Heart Failure Elderly Patients

Estudo realizado em importante Hospital Brasileiro, demonstrou que em pacientes com Insuficiência Cardíaca Congestiva hospitalizados,  a prevalência de Fraqueza Muscular Respiratória  foi maior que 70%

O diagnóstico funcional de Fraqueza muscular Respiratória (FMR), se dá quando o paciente apresenta uma Pressão Inspiratória Máxima (PiMáx) < 70% do valor predito. A prevalência de FMR entre os pacientes com ICC fora do ambiente hospitalar já é bastante significativa (30 a 50%) e diversos estudos demonstram uma correlação de mau prognóstico entre a presença da FMR e maior mortalidade nestes pacientes.  Portanto,  a medida da PiMáx tem correlação prognóstica com pacientes portadores de ICC onde: pacientes com menor PiMáx evoluem com piores desfechos.

Um estudo muito interessante  realizado no Hospital Albert Einstein  e publicado no ano passado,  evidenciou uma alta prevalência de FMR (PiMáx < 70% do predito) em pacientes idosos hospitalizados por descompensação da ICC.  Foi um estudo de corte transversal  onde a mensuração da PiMáx foi realizada em dois momentos: no início da internação hospitalar (depois de terem atingido estabilidade respiratória, hemodinâmica e clínica) e antes da alta hospitalar. Dados sobre a fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE), ECG, Peptídeos Natriuréticos Cerebral  (BNP) e sobre o uso da ventilação não invasiva (VNI)foram coletados.

Foram estudados 63 pacientes com média de idade 75 anos. Na admissão a fração de ejeção média foi de 33% (IC 95%: 31-35) e o valor médio do hormônio BNP foi de 726.5 pg / ml (intervalo: 217-2283 pg / ml). A VNI precisou ser utilizada em 65% dos pacientes.

O estudo demonstrou uma alarmante prevalência de 76% de FMR na admissão hospitalar e de 71% no momento da alta hospitalar.  Os valores médios de PiMáx foram de  – 52,7 cmH2O (-20 a -120 cmH2O) e  – 53,5 cmH2O ( – 20 a -120 cmH2O) respectivamente no momento da admissão e alta hospitalar.

Portanto, o estudo evidenciou uma alta prevalência de FMR em pacientes idosos internados com ICC e que a disfunção muscular respiratória se manteve quase  inalterada após a estabilização clínica da disfunção cardíaca.

A descompensação aguda da doença cardíaca leva a hipoxemia, inflamação sistêmica e exige repouso na leito por dispneia e fadiga; esses fatores também podem contribuir para uma maior prevalência de fraqueza muscular respiratória na ICC descompensada em comparação com pacientes sem agudização da doença.

Além disso, algumas alterações importantes ocorrem durante a exacerbação aguda de insuficiência cardíaca, tais como o aumento da resposta metaboreflexa do músculo e quimiorreflexa periférica, bem como a disfunção do sistema nervoso autónomo, todas  estas, correlacionadas com fraqueza muscular inspiratória.  Este fato, mostra a importância da medida da PiMáx no pacientes com ICC internados.

A medida da PiMáx no paciente cardiopata grave, além de ser uma parâmetro para o diagnóstico da Fraqueza Muscular Respiratória,  prognóstico de morbidade e mortalidade, também pode ser usado como parâmetro indicador da necessidade de um programa de reabilitação cardíaca e treinamento muscular respiratório após a alta hospitalar.

Hoje temos uma consistente e crescente evidência de que programas de treinamento muscular inspiratório específico, aumentam a força muscular inspiratória, melhoram a tolerância ao exercício e a qualidade de vida em pacientes ambulatoriais em programas de reabilitação.  Tal evidência científica  e os dados epidemiológicos encontrados neste estudo, demonstram de forma quase inequívoca, que o treinamento muscular inspiratório  seria uma efetiva estratégia terapêutica não farmacológica a ser indicada em boa  parte dos pacientes ICC, tanto no período de internamento, como também após a alta hospitalar.

Sendo assim, este interessantíssimo estudo, demonstra o quanto é importante e fundamental a avaliação de rotina da medida da PiMáx para diagnóstico precoce da fraqueza muscular respiratória e por consequência, indicação e prescrição de programas de treinamento muscular inspiratório nos pacientes  ICC com diagnóstico funcional de fraqueza muscular respiratória.

Portanto, vamos utilizar mais a manovacuometria nas nossas UTIs pessoal!!
Parabéns  aos colegas do Hospital Albert Einstein pela extraordinária informação epidemiológica!!

Outros importantes estudos relatados no artigo:

1 – Dall’Ago P, Chiappa GRS, Guths H, Stein R, Ribeiro JP (2006) Inspiratory muscle training in patients with heart failure and inspiratory muscle weakness: a randomized trial. J Am Coll Cardiol 47:757–763. PMID:

2 – Neder JA, Andreoni S, Lerario MC, Nery LE (1999) Reference values for lung function tests. II. Maximal respiratory pressures and voluntary ventilation. Braz J Med Biol Res 32(6):719–727

3 – Ribeiro JP, Chiappa GR, Neder JA, Frankenstein L (2009) Respiratory muscle function and exercise in- tolerance in heart failure function. Curr Heart Fail Rep 6(2): 95–101.

3 – Wong E, Steve S, Hare DL (2011) Respiratory Muscle Dysfunction and Training in Chronic Heart Fail- ure. Heart, Lung and Circulation 20:289–294

4 – Meyer FJ, Borst MM, Zugck C, Kirschke A, Schellberg D, et al (2001) Respiratory Muscle Dysfunction in Congestive Heart Failure Clinical Correlation and Prognostic Significance. Circulation 103 (17):2153–2158

5 – Frankenstein L, Nelles M, Meyer FJ, Sigg C, Schellberg, et al (2009)Validity, prognostic value and optimal cutoff of respiratory muscle strength in patients with chronic heart failure changes with beta-blocker treatment. European Journal of Cardiovascular Prevention and Rehabilitation 16(04): 424–429

6 – Verissimo P, Timenetsky KT, Casalaspo TJA, Gonçalves LHR, Yang ASY, Eid RC (2015) High Prevalence of Respiratory Muscle Weakness in Hospitalized Acute Heart Failure Elderly Patients. PLoS ONE 10(2): e0118218. doi:10.1371/journal. pone.0118218

Francimar Ferrari Ramos
Diretor Técnico Administrativo do Grupo Pulmocardio  Fisioterapia
Coordenador do Serviço de Fisioterapia do Hospital Esperança
Fisioterapeuta Diarista e Rotina da UTI Geral do Hospital Agamenon Magalhães
Coordenador Acadêmico da Pós Graduação de Fisioterapia em Terapia Intensiva (Faculdade Redentor – Campus Recife)
Consultor Técnico do Serviço de Fisioterapia do Hospital Jayme da Fonte

Artigo Original

Verissimo P, Timenetsky KT, Casalaspo TJA, Gonçalves LHR, Yang ASY, Eid RC (2015) High Prevalence of Respiratory Muscle Weakness in Hospitalized Acute Heart Failure Elderly Patients.
PLoS ONE 10(2): e0118218. doi:10.1371/journal. pone.0118218

Deixe uma resposta