Câncer e a Atividade Física

Como a reabilitação pode modificar seus resultados?

A próxima década será particularmente desafiadora pois espera-se um aumento de 50% nos novos tipos de cânceres no mundo, sendo 2/3 em países em desenvolvimento como o Brasil. O conhecimento e as intervenções contra este conjunto de doenças têm passado por uma revolução nos últimos anos, contudo, os pontos chave mais revolucionários na condução dessa situação são a promoção da saúde, a prevenção, o diagnostico precoce e o tratamento oportuno.
Observando-se a singularidade dos pacientes com câncer é indiscutível o papel da Reabilitação nesse processo. A diminuição da atividade física e a fadiga encontrada nesses pacientes pode estar relacionada à maior taxa de mortalidade, pior qualidade de vida e maior risco de desenvolver outras doenças crônicas, como cardiopatias e a diabetes. Assim, esta redução da função física pode tanto ser causa, como consequência dos prejuízos funcionais, visto que o hipercatabolismo causado pelo metabolismo do tumor, inflamação sistêmica e outros efeitos mediados pelo tumor tem sido sugerido como uma das principais características da síndrome da caquexia do câncer e sarcopenia.
O termo sarcopenia deriva do grego sarkós (carne)+ penía (pobreza, privação) e atualmente, é definida como uma síndrome clínica caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa e função muscular que, embora frequentemente observada em idosos, pode ocorrer em indivíduos de qualquer faixa etária.
Essa condição comum é muito conhecida como fadiga oncológica e está associada não só ao efeito medicamentoso do tratamento, mas também pode ser consequência do próprio tumor ou outras condições associadas, metabólicas, hematológicas e nutricionais, que podem atuar como agravantes. Trata-se de uma condição de origem multifatorial e sua fisiopatologia ainda não é de todo conhecida. Esta leva à redução da ati¬vidade física e à perda de massa e força muscular, além de piora da qualidade de vida. Exercícios físicos são utilizados com a intenção de reduzir a fadiga, melhorar a capacidade física e a qualidade de vida dos pacientes em tratamento oncológico, mesmo diante de evidências de doença ativa ou não.
Monitorar a composição corporal, marcadores bioquímicos e a fragilidade muscular pode, de forma simples, predizer o prognóstico e nortear o acompanhamento do tratamento, pois a perda da massa muscular esquelética é um fator de risco para anormalidades mediadas pela dose de quimioterapia, principalmente em relação à toxicidade e à baixa eficácia a tratamentos nutricionais e oncológicos.
Assim, o diagnóstico precoce da diminuição da massa muscular esquelética é importante para que os efeitos da sarcopenia possam ser atenuados ou adiados por meio de intervenção apropriada o mais brevemente possível durante a trajetória da doença e do tratamento.
Dessa forma, a prevenção e o avanço tecnológico na medicina tornaram o diagnóstico precoce e os tratamentos mais efetivos, de modo que, a preocupação da sobrevida incorporou-se à preocupação com a qualidade de vida destes pacientes, durante e após o tratamento oncológico. Nesse sentido, a Reabilitação Oncológica visa reduzir a dependência funcional dos pacientes e proporcionar melhor qualidade de vida mesmo que estes estejam em processo de quimioterapia, radioterapia ou em situações de pré ou pós cirurgia. O exercício físico com fim terapêutico constitui um valioso instrumento da reabilitação dos pacientes com câncer.
Estudos recentes já demonstraram que pacientes submetidos à reabilitação apresentam melhora significativa na sensação de fadiga em decorrência da melhora da força muscular, repercutindo diretamente na minimização dos sintomas. O programa deve ser sempre estruturado como ciclos de atividade física com prescrição individualizada, composto por exercícios aeróbicos, metabólicos, de fortalecimento muscular com foco e objetivo no tratamento da sarcopenia, funcionalidade e autonomia para as atividades de vida diária dos pacientes. Já existem estudos que mostram que a associação de exercício físico de moderada e alta intensidade pode melhorar a fadiga em pacientes com diversos tipos de câncer mesmo durante o tratamento quimioterápico.
O programa deve ser sempre planejado e revisado a cada etapa do tratamento.

Fontes consultadas (Referências Bibliográficas)

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